Por André Milani
Integrantes
Rick Warwick - Vocal
Scott Gorham - Guitarra
Damon Johnson - Guitarra
Robbie Crane - Baixo
Jimmy DeGrasso - Bateria
Adicionais
Nick Raskulinecz - Produção e Mellotron em Blindsided e You Little Liar
Mark Gemini - cordas em Blindsided (acustica)
Track List
| 1. | "The Killer Instinct" | Ricky Warwick, Damon Johnson | 3:32 |
| 2. | "Bullet Blues" | Warwick, Johnson | 4:54 |
| 3. | "Finest Hour" | Warwick, Johnson | 3:56 |
| 4. | "Soldierstown" | Warwick, Sam Robinson, Gorham, Johnson | 4:50 |
| 5. | "Charlie I Gotta Go" | Warwick, Johnson | 4:14 |
| 6. | "Blindsided" | Warwick, Johnson | 6:00 |
| 7. | "Through the Motions" | Warwick, Johnson | 3:47 |
| 8. | "Sex, Guns & Gasoline" | Warwick, Gorham, Johnson | 4:00 |
| 9. | "Turn In Your Arms" | Warwick, Gorham, Johnson | 3:50 |
| 10. | "You Little Liar" | Warwick, Johnson | 7:08 |
De volta com mais uma degustação no Som a Mesa. E o álbum desta semana de fato é uma novidade recém saída do forno.
Para quem não conhece o Black Star Riders, a banda é formada por membros da última encarnação do Thin Lizzy. Ao exemplo de Unisonic e de outras bandas por aí, fica dificil saber se podemos chamar o Black Star Riders de uma banda nova, afinal o seus membros já são velhos conhecidos do público e da cena, tendo tocado em nomes importantes do rock / metal.
A banda é formada por Ricky Warwick (vocal, ex - The Almighty), Scott Gorham (guitarra, Thin Lizzy), Damon Johnson (guitarra, ex - Sammy Hagar e Alice Cooper), Robbie Crane (baixo, ex - Ratt) e Jimmy DeGrasso (bateria, ex - Megadeth, Ratt, ALice Cooper, Ministry, dentre outros). Destes somente o guitarrista Scott Gorham é da formação clássica do Thin Lizzy (dos tempos de Phil Lynott. Mas é inegável a bagagem de todos membros da banda e mais do que isto, a qualidade do grupo enquanto banda.
The Killer Instinct é o segundo disco do grupo. O anterior, "All Hell Breaks Loose" foi composto pelo grupo e somente no ultimo minuto tiveram certeza de lança-lo sob o nome de Black Star Riders, ao invés de usar o nome do Thin Lizzy. Fizeram isto, segundo os membros, em respeito ao legado de Lynott e aos fãs, além claro, de evitar comparações demasiadas e evitar confusões. Só posso dizer que acertaram imensamente em não se escorarem no nome do Thin Lizzy.
Um fato curioso é que no primeiro contato que eu tive com o som da banda (através do Spotify e sem saber de absolutamente nada sobre a banda a não ser o nome), foi impossível não xingar e reclamar de copiarem o Thin Lizzy descaradamente. Ao final da primeira música ficava claro que o som era bom, mas precisava copiar o Lizzy tão descaradamente? Qual não foi a minha surpresa poucos dias depois, ao ler uma matéria por puro acaso, que a banda era na verdade uma das reencarnações do Thin Lizzy que havia resolvido lançar material inédito e para isso adotaram um novo nome. Grata surpresa. Tive então de conferir o disco na integra e com calma. E isso estampou um grande sorriso no meu rosto. Em tempo... um belo nome para se batizar a banda.
Tendo a banda lançado seu debut e com a boa aceitação que obtiveram de critica e público, a pressão havia diminuido e o grupo se sentiu mais livre para arriscar mais e expandir os limites neste segundo álbum. E The Killer Instinct faz bonito. Riffs e solos bem colocados, boas melodias vocais e cozinha entrosada. O Hard rock que tanto amamos no Thin Lizzy está presente, principalmente pelas guitarras de Scott Gorham. O estilo do guitarrista continua o mesmo dos áureos tempos de Lizzy e isso reflete no som da banda. As guitarras dobradas, marca registrada e influência para tantos nomes de peso da história do rock (eu ouvi "Iron Maiden?") estão presentes e o vocalista Ricky Warwick possui trejeitos que nos remetem diretamente a Lynott, embora saiba imprimir personalidade quando necessário. Como já dito, é impossivel não ouvir BSR e não lembrar do Thin Lizzy, mas há muitas novidades bem vindas. Apesar da influência setentista o disco soa moderno e atual, tanto musicalmente falando como no que se deve a produção, muito bem feita e limpa, o que deixa os instrumentos soando na cara e nos possibilita desfrutar do belo timbre da guitarra de Scott Gorham.
Faixas
The Killer Instinct
O disco já começa com um belo petardo, sendo esta a músicas que mais tem o jeitão do Thin Lizzy. Guitarras dobradas solando, bons riffs, melodia grudenta e Ricky Warwick cantando exatamente como Phill Lynott. Mas não deixe a comparação inevitável te desanimar, é uma ótima música, que abre o disco com muita pegada. é uma das minhas favoritas em todo o álbum, e olha que vem muita coisa boa pela frente.
Bullet Blues
Possui um riff de guitarra mais cadenciado, que se alterna com trechos mais melódicos em que as linhas vocais são o destaque. Mantém o bom ritmo da faixa anterior (literalmente, não deixa a peteca cair).
Finest Hour
Outra forte candidata a melhor faixa do disco. Sua introdução me remete ao Southern Rock de bandas como o Lynyrd Skynyrd (em sua fase mais atual), mas quando o ritmo da música engrena é impossivel não se lembrar do hard rock anos 80 com melodia e refrões grudentos. Mas fique tranquilo que o que temos aqui está longe de ser farofa. Sua melodia simples e cativante faz querer ligar o "repeat".
Soldierstown
Música de personalidade, se destaca dentre as demais por sua influência de música celta (Ricky Warwick é irlandes e um dos principais compositores do grupo). Não é forçar a barra dizer que a música parece ter saido de um disco de folk metal. O riff de Scott Groham contém muito peso e melodia e desde a primeira vez que o ouvi, minha impressão foi estar ouvindo um versão celta de "Massacre" clássico do Thin Lizzy. A musica é menos pesada e agressiva que sua sucessora, mas possui tanta força e personalidade quanto.
Charlie I Got Go
Um Blues Rock do estilo que o Thin Lizzy já fez algumas vezes, com tanta ou mais qualidade do que muitos destes. Ótimo riff, ótimo solo, ótimo refrão... outra da minha lista de preferidas do disco. Junto a faixa que abre o disco, é um dos momentos em que Ricky Warwick mais se aproxima de Phill Lynott em sua maneira de cantar.
Blindsided
Uma semi-balada que começa acústica e em dado momento conta com o peso da guitarra na medida certa, culminando em um belo solo. ótima faixa para balancear o álbum e mostrar toda a abrangência músical deste.
Through the Motions
Faixa com maior influência do hard rock anos 80, mostrando de fato a influência da bagagem dos membros da banda. Boa melodia, simples e grudenta, com um refrão que é a cara das bandas de Los Angeles da época.
Sex, Guns & Gasoline
Uma música com esse nome já ganha seu respeito antes mesmo da primeira nota, mas depois de alguns segundos ouvindo percebemos que o som faz juz ao nome tremendão e bad boy. Com riffs de peso e mais uma vez influência da cena hard oitentista, a música figura entre uma das mais legais do álbum, sendo provavelmente a melhor desta segunda metade.
Turn In Your Arms
Guitarra marcante e melodia vocal que se destaca, a música apenas perde força quando chega no refrão (na minha opinião fraco), mas em todo o resto empolga.
You Little Liar
Música mais longa do disco (passa dos 7 minutos), percebemos aqui uma vontade de fazer algo diferente por parte da banda. Possui mudanças de andamento e o vocal de Ricky Warwick soa mais agudo elimpo. Mesmo assim é o hard rock caracteristico da banda que se faz presente, apenas de forma mais trabalhada e menos direta (como estamos acostumados)
Obs
A "deluxe edition" do álbum conta com algumas faixas bonus. Gabrielle é uma balada acústica boa para descansar os ouvidos e The Reckoning Day um hard rock tipico da banda mas aqui de forma mais crua e seca (também devido a produção). As outras faixas que compõem os bonus são versões acústicas de The Killer Instinct, Blind Sided, Charlie I Got Go e Finest Hour. Valem pelo fator novidade e dsras The Killer Instinct é a que mais me agrada em sua versão voz e violão.
Conclusões Gerais
Um ótimo álbum de hard rock, cheio de melodia e peso na medida certa. Mescla elementos de hard rock anos 70 e 80 com muita competência e cada música possui uma identidade própria e bem definida (algo raro hoje em dia). Apesar de possuir inegavelmente elementos que remetem ao Lizzy (principalmente na primeira metade do disco), também consegue se distanciar do fantasma das comparações e trilha um caminho bem definido em busca de uma identidade própria. é candidato forte a melhor álbum do ano na minha lista.
Quem é fã de Thin Lizzy certamente gostará, assim como qualquer um que goste de hard rock bem feito. É uma banda que tem tudo para continuar crescendo e aparecendo. Ouça e seja feliz
Nota: 4,5 cervejas
Músicas Favoritas: Killer Instinct, Soldierstown, Finest Hour e Charlie I Got Go


















