quinta-feira, 21 de maio de 2015

The Killer Instinct - Black Star Riders (2015)

Por André Milani



Integrantes

Rick Warwick - Vocal
Scott Gorham - Guitarra
Damon Johnson - Guitarra
Robbie Crane - Baixo
Jimmy DeGrasso - Bateria  


Adicionais

Nick Raskulinecz - Produção e Mellotron em Blindsided e You Little Liar
Mark Gemini - cordas em Blindsided (acustica)


Track List

1."The Killer Instinct"  Ricky Warwick, Damon Johnson3:32
2."Bullet Blues"  Warwick, Johnson4:54
3."Finest Hour"  Warwick, Johnson3:56
4."Soldierstown"  Warwick, Sam Robinson, Gorham, Johnson 4:50
5."Charlie I Gotta Go"  Warwick, Johnson4:14
6."Blindsided"  Warwick, Johnson6:00
7."Through the Motions"  Warwick, Johnson3:47
8."Sex, Guns & Gasoline"  Warwick, Gorham, Johnson4:00
9."Turn In Your Arms"  Warwick, Gorham, Johnson3:50
10."You Little Liar"  Warwick, Johnson7:08




De volta com mais uma degustação no Som a Mesa. E o álbum desta semana de fato é uma novidade recém saída do forno.
Para quem não conhece o Black Star Riders, a banda é formada por membros da última encarnação do Thin Lizzy. Ao exemplo de Unisonic e de outras bandas por aí, fica dificil saber se podemos chamar o Black Star Riders de uma banda nova, afinal o seus membros já são velhos conhecidos do público e da cena, tendo tocado em nomes importantes do rock / metal.


A banda é formada por Ricky Warwick (vocal, ex - The Almighty), Scott Gorham (guitarra, Thin Lizzy), Damon Johnson (guitarra, ex - Sammy Hagar e Alice Cooper), Robbie Crane (baixo, ex - Ratt) e Jimmy DeGrasso (bateria, ex - Megadeth, Ratt, ALice Cooper, Ministry, dentre outros). Destes somente o guitarrista Scott Gorham é da formação clássica do Thin Lizzy (dos tempos de Phil Lynott. Mas é inegável a bagagem de todos membros da banda e mais do que isto, a qualidade do grupo enquanto banda.


The Killer Instinct é o segundo disco do grupo. O anterior, "All Hell Breaks Loose" foi composto pelo grupo e somente no ultimo minuto tiveram certeza de lança-lo sob o nome de Black Star Riders, ao invés de usar o nome do Thin Lizzy. Fizeram isto, segundo os membros, em respeito ao legado de Lynott e aos fãs, além claro, de evitar comparações demasiadas e evitar confusões. Só posso dizer que acertaram imensamente em não se escorarem no nome do Thin Lizzy. 


Um fato curioso é que no primeiro contato que eu tive com o som da banda (através do Spotify e sem saber de absolutamente nada sobre a banda a não ser o nome), foi impossível não xingar e reclamar de copiarem o Thin Lizzy descaradamente. Ao final da primeira música ficava claro que o som era bom, mas precisava copiar o Lizzy tão descaradamente? Qual não foi a minha surpresa poucos dias depois, ao ler uma matéria por puro acaso, que a banda era na verdade uma das reencarnações do Thin Lizzy que havia resolvido lançar material inédito e para isso adotaram um novo nome. Grata surpresa. Tive então de conferir o disco na integra e com calma. E isso estampou um grande sorriso no meu rosto. Em tempo... um belo nome para se batizar a banda.

Tendo a banda lançado seu debut e com a boa aceitação que obtiveram de critica e público, a pressão havia diminuido e o grupo se sentiu mais livre para arriscar mais e expandir os limites neste segundo álbum. E The Killer Instinct faz bonito. Riffs e solos bem colocados, boas melodias vocais e cozinha entrosada. O Hard rock que tanto amamos no Thin Lizzy está presente, principalmente pelas guitarras de Scott Gorham. O estilo do guitarrista continua o mesmo dos áureos tempos de Lizzy e isso reflete no som da banda. As guitarras dobradas, marca registrada e influência para tantos nomes de peso da história do rock (eu ouvi "Iron Maiden?") estão presentes e o vocalista Ricky Warwick possui trejeitos que nos remetem diretamente a Lynott, embora saiba imprimir personalidade quando necessário. Como já dito, é impossivel não ouvir BSR e não lembrar do Thin Lizzy, mas há muitas novidades bem vindas. Apesar da influência setentista o disco soa moderno e atual, tanto musicalmente falando como no que se deve a produção, muito bem feita e limpa, o que deixa os instrumentos soando na cara e nos possibilita desfrutar do belo timbre da guitarra de Scott Gorham.

Faixas

The Killer Instinct
O disco já começa com um belo petardo, sendo esta a músicas que mais tem o jeitão do Thin Lizzy. Guitarras dobradas solando, bons riffs, melodia grudenta e Ricky Warwick cantando exatamente como Phill Lynott. Mas não deixe a comparação inevitável te desanimar, é uma ótima música, que abre o disco com muita pegada. é uma das minhas favoritas em todo o álbum, e olha que vem muita coisa boa pela frente.

Bullet Blues
Possui um riff de guitarra mais cadenciado, que se alterna com trechos mais melódicos em que as linhas vocais são o destaque. Mantém o bom ritmo da faixa anterior (literalmente, não deixa a peteca cair).

Finest Hour
Outra forte candidata a melhor faixa do disco. Sua introdução me remete ao Southern Rock de bandas como o Lynyrd Skynyrd (em sua fase mais atual), mas quando o ritmo da música engrena é impossivel não se lembrar do hard rock anos 80 com melodia e refrões grudentos. Mas fique tranquilo que o que temos aqui está longe de ser farofa. Sua melodia simples e cativante faz querer ligar o "repeat".

Soldierstown
Música de personalidade, se destaca dentre as demais por sua influência de música celta (Ricky Warwick é irlandes e um dos principais compositores do grupo). Não é forçar a barra dizer que a música parece ter saido de um disco de folk metal. O riff de Scott Groham contém muito peso e melodia e desde a primeira vez que o ouvi, minha impressão foi estar ouvindo um versão celta de "Massacre" clássico do Thin Lizzy. A musica é menos pesada e agressiva que sua sucessora, mas possui tanta força e personalidade quanto.

Charlie I Got Go
Um Blues Rock do estilo que o Thin Lizzy já fez algumas vezes, com tanta ou mais qualidade do que muitos destes. Ótimo riff, ótimo solo, ótimo refrão... outra da minha lista de preferidas do disco. Junto a faixa que abre o disco, é um dos momentos em que Ricky Warwick mais se aproxima de Phill Lynott em sua maneira de cantar.

Blindsided
Uma semi-balada que começa acústica e em dado momento conta com o peso da guitarra na medida certa, culminando em um belo solo. ótima faixa para balancear o álbum e mostrar toda a abrangência músical deste.

Through the Motions
Faixa com maior influência do hard rock anos 80, mostrando de fato a influência da bagagem dos membros da banda. Boa melodia, simples e grudenta, com um refrão que é a cara das bandas de Los Angeles da época.

Sex, Guns & Gasoline
Uma música com esse nome já ganha seu respeito antes mesmo da primeira nota, mas depois de alguns segundos ouvindo percebemos que o som faz juz ao nome tremendão e bad boy. Com riffs de peso e mais uma vez influência da cena hard oitentista, a música figura entre uma das mais legais do álbum, sendo provavelmente a melhor desta segunda metade.

Turn In Your Arms
Guitarra marcante e melodia vocal que se destaca, a música apenas perde força quando chega no refrão (na minha opinião fraco), mas em todo o resto empolga.

You Little Liar
Música mais longa do disco (passa dos 7 minutos), percebemos aqui uma vontade de fazer algo diferente por parte da banda. Possui mudanças de andamento e o vocal de Ricky Warwick soa mais agudo elimpo. Mesmo assim é o hard rock caracteristico da banda que se faz presente, apenas de forma mais trabalhada e menos direta (como estamos acostumados)

Obs
A "deluxe edition" do álbum conta com algumas faixas bonus. Gabrielle é uma balada acústica boa para descansar os ouvidos e The Reckoning Day um hard rock tipico da banda mas aqui de forma mais crua e seca (também devido a produção). As outras faixas que compõem os bonus são versões acústicas de The Killer Instinct, Blind Sided, Charlie I Got Go e Finest Hour. Valem pelo fator novidade e dsras The Killer Instinct é a que mais me agrada em sua versão voz e violão.


Conclusões Gerais

Um ótimo álbum de hard rock, cheio de melodia e peso na medida certa. Mescla elementos de hard rock anos 70 e 80 com muita competência e cada música possui uma identidade própria e bem definida (algo raro hoje em dia). Apesar de possuir inegavelmente elementos que remetem ao Lizzy (principalmente na primeira metade do disco), também consegue se distanciar do fantasma das comparações e trilha um caminho bem definido em busca de uma identidade própria. é candidato forte a melhor álbum do ano na minha lista.
Quem é fã de Thin Lizzy certamente gostará, assim como qualquer um que goste de hard rock bem feito. É uma banda que tem tudo para continuar crescendo e aparecendo. Ouça e seja feliz

Nota: 4,5 cervejas

Músicas Favoritas: Killer Instinct, Soldierstown, Finest Hour e Charlie I Got Go

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Rio Grande Mud - ZZ Top (1972)

Por André Milani

O álbum escolhido esta semana, mais um vez por mim, é o meu disco favorito para se andar de bicicleta com vento no rosto em um ensolarado dia no parque (na falta de uma Harley e uma Route 66 por aqui).
Rio Grand Mud, o segundo disco do trio texano ZZ TOP dá continuidade ao tema "segundo disco" no som a mesa e nos traz uma ótima trilha sonora para aqueles momentos que não pedem nada além de um bom Rock n Roll.


                                   



Integrantes 

Billy Gibbons - Voz e guitarra
Dusty Hill - Baixo
Frank Beard - Bateria

Produção: Bill Ham




As barbas ainda "modestas" de Billy Gibbons e Dusty Hill


Dados Adicionais

Lançado em 4  de Abril de 1972
Gravado 1971 - 1972 no Robin Hood Studios, TexasSelo: London


Selo da primeira edição 


Track List
Side A
1.    "Francine" (Billy Gibbons, Marty Cordray) - 3:33
2.    "Just Got Paid" (Gibbons, Bill Ham) - 4:49
3.    "Mushmouth Shoutin'" (Gibbons, Ham) - 3:41
4.    "Ko Ko Blue" (Gibbons, Dusty HillFrank Beard) - 4:56
5.    "Chevrolet" (Gibbons) - 3:47
Side B
6.    "Apologies to Pearly" (Gibbons, Hill, Beard, Ham) - 2:39
7.    "Bar-B-Q" (Gibbons, Ham) – 3:34
8.    "Sure Got Cold After the Rain Fell" (Gibbons) – 7:39
9.    "Whiskey'n Mama" (Gibbons, Hill, Beard, Ham) - 3:20
10. "Down Brownie" (Gibbons) - 2:53
Como já dito, Rio Grande Mud é o segundo disco da banda, o primeiro a ter um single de sucesso (Francine) e a fazer com que a banda se tornasse conhecida por seu estilo que mesclava blues e hard rock, que viria a ser um dos pilares do Southern Rock.
O disco anterior, ZZ Top's Firs Album já dava mostras do potêncial da banda, mas é em Rio Grande Mud que a banda arregaça as mangas e mostra ao que veio, cumprindo assim o seu contrato de dois discos com a London.

Quando eu mencionei no inicio do texto que é o meu disco para "pedalar no parque" não estava brincando. De fato foi assim que conheci Rio Grande Mud. Em um belo dia de folga, com muito sol e nada para fazer... coloquei o mp3 do disco no Ipod e fui pedalar no Parque Vila Lobos em São Paulo. Talvez tenha sido o vento na cara e o sentimento de liberdade aliado aos riffs e solos inspirados de Billy Gibbons mas desde então este é meu disco favorito do ZZ TOP (junto ao clássico Tres Hombres). Fato é que o ZZ TOP é famoso por fazer o tipico "ROCKÃO BOM". Aquele tipo de música que você poe pra curtir uma estrada ou mesmo um churrasco com os amigos. Não é música pra se ouvir deitado em um quarto escuro (Pink Floyd) ou mesmo sentado no sofá com o encarte em mãos (Iron Maiden). Mas, isto em hipotese alguma quer dizer que não é música para ser degustada com esmero e por isto ele está aqui no som a mesa.

O nome" Rio Grande Mud" vem do rio de mesmo nome que faz a fronteira entre México e Texas. Alias se a influência texana é clara no som e letras do grupo, o mesmo aconteceria com a cultura mexicana no futuro, incorporada em letras e nomes de álbum. O que se percebe neste álbum é um blues mais sujo, pesado e safadão em relação ao disco anterior e principalmente em relação a tudo que se ouvia na época.

Francine
Único single do disco e primeiro da banda a alcançar algum sucesso. A faixa abre o disco já mostrando todas as credenciais do trio: um hard / blues sujo e sacana com riffs bem feitos e refrão bem feito. Clássico.

Just Got Paid
Mais um ótimo riff de Gibbons que é a cara da banda. Estilo presente também em diversas outras músicas de sucesso da banda independente da época, mas aqui em uma versão ainda crua, orgânica e pura. Acompanha um vocal temperado com boas doses de ironia tipicas ao blues. Como não gostar deste álbum logo de cara? Recomenda-se para acompanhar aquele churrasco com os amigos e cervejas geladas. 


Mushmouth Shoutin
A gaita logo de cara já entrega o blues despojado que vem pela frente, contando também com uma guitarra dedilhada. Boa música para "respirar e esticar as pernas" depois dos petardos iniciais.

Ko Ko Blue
Aqui o ritmo se intensifica novamente em uma faixa com ótimos riffs (de novo!!!) e linhas vocais inspiradas. É o tipo de  musica que te faz pisar mais fundo no acelerador. Tem ótimos solos que são quebrados por uma sequencia de riffs, antes de voltar aos solos novamente. Sem duvida a guitarra é o destaque de Rio Grande Mud e esta é uma das faixas que exemplifica isto.   

Chevrolet
Outra faixa que alcançou um sucesso considerável. O Riff dedilhado acompanha a letra até desembocar no famoso e grudendo refrão que é o destaque da música. Possui um arranjo mais cadenciado  do que as músicas anteriores. Titulo e refrão certamente são os grandes responsáveis pelo sucesso da música e impossível você não se pegar cantando "aleluia aleluia ride my chevrolet" em alguma parte do dia depois de ter ouvido esta música. 

Apologies to Pearly
A música já se inicia com um solo blueasy que entrega mais pegada do que o normal e é impossivel não simpatizar com esta faixa instrumental logo de cara. Ótimos solos e com a cozinha trabalhando bem, a música da um clima de diversão descompromissada bad boy mas que ainda sim tem um toque de classe. ZZ TOP kicking asses. 

Bar-B-Q
Uma música com nome de churrasco (barbecue) já dispensa maiores comentários. Mas o que temos aqui é um blues com muito swing, riffs e solos de guitarra dando o tom da música. Perfeita para se ouvir no churrasco... e em qualquer outro momento que peça um rock n roll do bom sem maiores compromissos ou enrolações.

Sure Got Cold After the Rain Fell
Um belo blues balada com tom melancólico. Do tipo que não pode faltar em nenhum disco de rock / blues e do tipo que a banda ainda faria outras vezes. 
Whiskey'n Mama
Musica mais "badass" do disco, do tipo eu sou barbudo e que se dane se você não gosta dos bichinhos que moram na minha barba. Musica que te conquista desde o primeiro riff. Uma das minhas favoritas do disco. Sobra pegada e atitude.

Down Brownie
Como a maioria das músicas do disco, já mostra a que veio logo nos primeiros segundos, conquistando de cara o ouvinte com mais um riff texano bem temperado a la ZZ TOP. Fecha o disco com classe.

Conclusões Gerais


O que me chama atenção em Rio Grande Mud é o quanto este disco é equilibrado. Nele você encontra de tudo o que caracteriza o ZZ TOP: hard rock, blues, balada, riffs, solos, vocais bem colocados, refrões marcantes... tudo isso com o jeito sujo, despojado e safado de sempre. Sem dúvida a minha fase preferida da banda, ao lado do irmão mais novo "Tres Hombres". Mas á verdade é que ZZ TOP é tão bom que até nos anos 80 e meados dos 90 quando fizeram uma abordagem bem mais comercial a qualidade se manteve em alta (em partes porque mesmo  com um som mais acessivel, nunca perderam sua identidade).

Altamente recomendado, principalmente para as ocasiões já citadas (pedale você também ao som de Rio Grande Mud :P... bem pro corpo e pra mente - ou deguste em meio aquele churrasco com a picanha na brasa e a cerveja gelada - não tão bem assim pro corpo, mas quem liga ? It's Only Rock n Roll)

Nota: 4 cervejas




Músicas favoritas: 
Whiskey'n Mama, Just Got Paid, Bar-B-Q

Curiosidades:



O "Rio Grande" que da nome a este álbum do ZZ Top, é um dos maiores rios dos EUA. Nasce nas montanhas do Colorado, banha todo estado do Novo México, e a partir de "El Passo" serve de fronteira entre México e EUA, onde é conhecido como "Rio Bravo Del Norte".
O Rio é constantemente cortado por imigrantes ilegais que tentam adentrar aos EUA com a ajuda de coiotes.
Na capa do disco vemos os três integrantes enlameado pelas águas barrentas do rio supostamente fazendo uma referência direta a travessia dos imigrantes (ou estariam apenas se refrescando? um banho de lama para cuidar da pele talvez?)



O único single deste álbum foi "Francine", música que abre o disco e já nos brinda com várias das caracteristicas que definem o ZZ Top. O single alcançou a posição 69 na Billboard Hot 100, o que proporcionou uma boa visibilidade ao trio texano.




Chevrolet é outra música bem famosa de Rio Grande Mud. Seria por seu refrão grudento ou por ter o nome da montadora?




terça-feira, 5 de maio de 2015

Jethro Tull - Stand Up (1969)

Por André Milani


Depois da nossa primeira quadra de resenhas e uma semana de ressaca do ótimo Monsters of Rock, voltamos a ativa com tudo nesta nova sequencia temática do Som a Mesa.
E o tema para esta segunda rodada são os "segundos discos". Se o primeiro disco de uma banda muitas vezes vem cheio de ideias que precisam de amadurecimento, no segundo, normalmente já é possível perceber quais direções musicais o grupo irá seguir. E com objetivo de avaliar este "amadurecimento" este foi o tema escolhido por nossos colaboradores para esta sequência. Não necessariamente cada colaborador escolherá a continuação do disco que resenhou anteriormente... mas é exatamente isto que EU vou fazer:

Jethro Tull - Stand Up (1969) Eu escolho você!!!

Motivos não faltam para a escolha deste petardo. A começar por ser um dos meus discos favoritos dentro da extensa e altamente qualificada discografia da banda. Além disso, as mudanças e evoluções musicais em relação ao disco anterior são notáveis e as músicas são recheadas de curiosidades dignas de serem debulhadas durante a semana.



Track List



Side one
No.TitleLength
1."A New Day Yesterday"  4:10
2."Jeffrey Goes to Leicester Square"  2:12
3."Bourée(instrumental, J. S. Bach arr. Anderson)3:46
4."Back to the Family"  3:48
5."Look into the Sun"  4:20
Side two
No.TitleLength
6."Nothing is Easy"  4:25
7."Fat Man"  2:52
8."We Used to Know"  4:00
9."Reasons for Waiting"  4:05
10."For a Thousand Mothers"  4:13
* from wikipedia.com
Membros

Ian Anderson - Voz, flauta, violão, orgão hammond, piano, mandolin, orgão de boca e balalaika
Martin Lancelot Barre - Guitarra, flauta em Jeffrey Goes to Leicester Square e Reasons for Waiting

Glenn Cornick -baixo

Clive Bunker - Bateria

Musicos & Performances adicionais

Andy Johns - Baixo em Look into the sun e engenheiro de som em todo álbum

David Palmer - Arranjos de cordas

Terry Ellis - Produção e arte

James Grashow - Arte da capa


O momento da banda

Como mencionado na resenha do disco anterior, This Was, o guitarrista Mick Abrahamns havia deixado a banda devido a diferenças musicais com Ian Anderson. Para seu lugar, foi escolhido Tomy Iommi (um cara de bigode que tocava em uma banda chamada Earth que logo mudaria seu nome para Black Sabbath) que acabou tendo uma passagem meteórica pela banda, abandonando logo depois de ter assumido, alegando se sentir desconfortável dentro do grupo (ou seria com a sonoridade?). O então segundo colocado da lista de substitutos, Martin Lancelot Barre, foi convocado e caiu como uma luva dentro do estilo do Jethro Tull. Mr Lancelot se tornou o mais duradouro parceiro de Ian Anderson até o recém proclamado final da banda.

Glenn Cornick, Clive Bunker, Martin Barre, e Ian Anderson


Com Abrahamns fora, Stand Up marca o inicio do dominio de Ian Anderson sobre as composições e letras da banda, tendo liberdade para finalmente dar vazão as várias idéias que pretendia explorar. E foi exatamente isto que Ian fez. Não se prendendo a nenhum estilo especifico, Stand Up nos brinda com doses de qualidade de rock, blues, jazz, folk, progressivo e até arranjos ligados a musica oriental. Este álbum, mesmo sendo apenas o segundo do que viria a ser uma longa carreira, é uma sintese do que fez a banda durante sua existência. Não se prendendo a rotulos e paradigmas, mas apenas a qualidade da música em si. É a prova derradeira de que Ian Anderson estava certo ao afirmar que enquanto uma banda de blues, estariam limitando sua própria criatividade. 

Gravação

A banda iniciou as gravações do disco em 17 de abril de 1969, no Morgan Studios no norte de Londres, e lá gravaram a maior parte das músicas como A New Day Yesterday, Back to the Family e Fat Man. Mas também foi necessário a utilização do Olympic Studio, no sul de Londres, devido a um problema com a agenda do primeiro. A faixa instrumental Bouree foi gravada neste segundo e levou diversos takes para que a banda finalmente ficasse satisfeita com o resultado. A gravação do álbum também foi marcada pelas experiências envolvendo técnicas de gravação, principalmente por parte do engenheiro de som Andy Johns. 

Critica

Ao ser lançado, o álbum foi muito bem recebido por público e critica. A Rolling Stone elogiou o trabalho e cravou "merece uma audição meticulosa". E cá estamos nós reforçando este coro 46 anos depois. 

Capa

Ao contrário da foto tosca que faz a capa de This Was, Stand Up tem uma capa marcante, original e bela. 
A história desta capa começa durante uma tour da banda por Connecticut, onde a banda conheceu o escultor e entalhador James Grashow, que seguiu a banda durante uma semana a fim de representar a banda através da arte em madeira. O resultado pode ser visto na capa do disco, e também no gate fold da versão original em vinil que possuia uma ilustração impressa em formato de pop-up (daqueles que levantam quando você abre o livro, no melhor estilo livro infantil) evocando ao titulo do álbum (STAND UP). Uma capa tão bela e original quanto o recheio.... digna sem dúvida. 










Músicas

A New Day Yesterday

Stand Up começa exatamente onde This Was terminou, com esta faixa que é a mais blues de todo o álbum. Com um arranjo mais trabalhado e um andamento mais despojado que as musicas do disco anterior, já da para sentir um certo frescor na atmosfera deste som em relação aos blues do debut da banda. 

Jeffrey Goes to Leicester Square
Mais uma homenagem a Jeffrey Hammond, colega de escola de Ian Anderson e que viria a ser baixista da banda no futuro. A exemplo da homenagem anterior, "A Song For Jeffrey", esta também conta com arranjos inusitados e neste caso até mesmo de dificil assimilação. Não alcançou o sucesso da primeira homenagem comercialmente falando mas é uma bela música. Algumas audições são necessárias para perceber a beleza nas suas formas e alternâncias de ritmo.

Bourée

Talvez a mais famosa peça instrumental da banda é uma versão jazz em flauta para a obra do compositor Johann Sebastian Bach. Sem duvida uma das minhas músicas favoritas do Tull, nesta versão original ainda conta com um belo e breve solo de baixo com muito swing que faz todo diferencial. Esta música levou tempo considerável para ser gravada, sendo necessário diversos takes até que um finalmente agradasse. Mesmo assim, Ian Anderson ainda fez acréscimos e mudanças antes de finalmente coloca-la no disco. Tanto trabalho certamente valeu a pena.

Back To The Family

Onde o progressivo realmente dá as caras, Back To The Family começa com um dedilhado lento e várias mudanças de ritmo com um ótimo refrão e solo além da característica flauta de Anderson. A letra contém referências ao relacionamento entre Ian Anderson e seus pais, assim como em For a Thousand Mothers e posteriormente no disco seguinte, "Benefit". Uma das melhores músicas do disco.

Look Into The Sun
Uma faixa semi acústica, lenta, gostosa e relaxante. Fácil de se imaginar ouvindo enquanto se assiste ao por do sol no campo. 

Nothing Is Easy

Talvez a música mais marcante e lembrada deste álbum, junto a Bourée. Nothing is Easy tem um refrão simples e poderoso e uma guitarra que marca presença junto a flauta. Dentro do universo Jethro Tull, é o que se pode chamar de uma música simples e de fácil assimilação para as massas (se é que exista mesmo algo assim dentro da discografia da banda). Mas não se engane. Tudo o que torna o Jethro único esta nesta música e não é  toa que se trata de um dos maiores clássicos. 

Fat Man

A musica mais fora do lugar comum de todo disco, prova que Ian Anderson estava pouco se importando com rotulos ou estilos. O uso do mandolin (uma das primeiras vezes que o instrumento foi usado por uma banda de rock) da um clima totalmente diferente que contrasta com a letra que a  primeira vista parece simples e despojada (mas será mesmo?).

We used to know

Musica que fala dos tempos dificeis da vida antes do reconhecimento do Jethro Tull. A musica decorre como se Ian Anderson contasse uma historia triste de tempos remotos e a guitarra de Martin Lancelot Barre torna toda a atmosfera da mais bela e ao mesmo tempo pitoresca. Sem duvida o momento no qual o novo guitarrista mais se destaca em todo disco.

Reasons for Waiting

A faixa começa com uma base de violão e flauta com clima sereno, dando lugar a voz de Ian Anderson e um "refrão" feito por flauta que da um toque de tensão a narrativa, que volta a serenidade logo a seguir. Bela música, com arranjos de cordas e muita personalidade.

For  Thousand Mothers

A musica já começa com um belo pé na bunda com guitarra, bateria, baixo, flauta e Ian cantando com presença. Se trata da música mais densa e pesada do disco, com um andamento acelerado e viradas bem colocadas. Um petardo que fecha com presença marcante esta obra prima.


Conclusões Gerais

Mais um ótimo disco de uma ótima banda, que definitivamente não limita sua capacidade criativa.
Se você é familiarizado com Jethro Tull e nunca ouviu, irá gostar logo de cara, mas recomendo umas três ou quatro audições para de fato entende-lo. Se não conhece a banda este é uma boa pedida para começar a conhecer e entender o som do grupo, mas é necessária uma audição não apenas atenta mas também livre de preconceitos... ouça de mente aberta. Se conhece a banda e o disco, ótima oportunidade para dar o play por umas três vezes esta semana e compartilhar conosco suas opiniões.

Músicas favoritas: Bourée, Back to the family e Nothing is Easy.


Nota: 5 cervejas







Obs: as versões remasterizadas do álbum trazem algumas músicas extras como Sweet dreams e Driving song. Recomendo a audição. 

Opinião - Fabio Henrique Calderone
Um dos meus preferidos do Tull (senão “O” preferido, ao lado dos outros 2 discos dessa fase, “Benefit” e “ Living In The Past”, embora eu goste muito também dos esquecidos “Stormwatch”, de 1979, “Rock Island”, de 1989 e “Roots To Branches”, de 1995).
O Jethro Tull é uma banda de várias facetas e estilos, mas sempre teve muito a oferecer. Eu considero essa a primeira fase oficial (já que no primeiro LP a banda ainda não tinha estabelecido um estilo de fato original).
Em outras épocas da minha vida eu já fui mais fã de outras fases da banda, mas hoje é provável que a minha preferida seja justamente essa, a primeira, que eu chamo de “fase Folk-Rock”. Depois eles passaram por um período mais “progressivo” com “Aqualung”, “Thick As A Brick”, etc. e, no final dos anos 70, se tornaram ainda mais profundamente Folk, mas dessa vez com influências mais européias (em “Songs From The Wood” e “Heavy Horses”). Nos anos 80, como a grande maioria das grandes bandas, eles passaram por um período onde o rumo foi confuso e decadente, com discos pop meio eletrônicos e mais fracos até se reerguerem novamente a partir de “Crest Of A Knave” em 1987.
Considero esse “Stand Up” um album de Folk-Rock mais americanizado, digamos assim. Direto, mas sofisticado, onde as influências inglesas se mesclaram com as raízes americanas do Blues e do Jazz... tudo isso na linguagem do Rock, mas muito original pra época. E tudo na medida perfeita.
É um disco primoroso... desde a arte da capa (minha cópia em vinil é a primeira americana, da Reprise, com o pop-up no gatefold e tudo! \o/) até a qualidade das músicas, dos músicos e todo o conceito do trabalho. Aliás, essa capa (a do vinil, porque no CD, principalmente na versão remaster, toda a sofisticação do desenho e os detalhes foram liquidados) está entre as minhas preferidas de todos os tempos.
Não vou comentar as faixas porque o nosso colaborador André já se encarregou de fazer isso muito bem! Só tenho uma coisa a dizer: Quem não ouviu ainda ou não descobriu a beleza desse álbum, acho que tem que dar mais uma chance, pois está perdendo muito.
Minhas faixas preferidas: “Look Into The Sun”, “We Used To Know” e “Reason For Waiting”
Minha Nota: 5 cervejas

Curiosidades

O mandolin, ou bandolin (como é mais conhecido em português) é um instrumento de cordas nascido na Itália como uma evolução do alaúde.
A perfomance de Ian Anderson com o instrumento em "Fat Man" é um dos primeiros registros do bandolin no mundo do rock.
Confira nesta gravação ao vivo feita em 1983

"Jeffrey Goes to Leicester Square", assim como em "A Song for Jeffrey" (do disco anterior), se refere a Jeffrey Hammond, antigo colega de escola de Ian Anderson, que também foi parceiro de banda antes da formação do Jethro Tull.
Jeffrey optou por não seguir no mundo na música para se dedicar a pintura, porém foi convencido por Ian Anderson a retornar para a musica, e consequentemente o baixo (instrumento que dominava), assumindo o posto de baixista do Jethro Tull em 1971.
Anos mais tarde, Jeffrey aposentou seu baixo voltando ao seu amor original, a pintura.


Durante uma turne, a banda conheceu o escultor James Grashow e, tendo gostado do trabalho do artista, convidou este para que passasse alguns dias com a banda a fim de representa-los em madeira. O resultado do trabalho virou a arte de Stand Up, que inclui capa, contracapa e o famoso gate fold pop-up.
Nascido em Nova York em 1942, teve obras expostas em diversos museus norte americanos e também contribuiu com a arte do disco de 1971 dos Yardbirds, "Live Yardbirds: Featuring Jimmy Page".

James Grashow e sua obra

Capa Stand Up

Gate Fold Pop Up de Stand Up

Capa de disco dos Yardbirds



Obra de James Grashow

Após o lançamento em 1969, Stand Up foi relançado em 1973. Em 1989 uma versão remasterizada foi lançada e posteriormente em 2001 ouve o re-lançamento em formato digital.
Finalmente em 2010 uma versão de luxo de Stand Up foi lançada, contendo 6 faixas adicionais, e dois discos extras (um contendo material ao vivo gravado em 1970)
Uma destas 6 faixas adicionais é a fantástica e não muito lembrada "Driving Song", originalmente uma B-side de "Living in The Past"


Este vale a pena pra quem é fã. Documentário gravado na época do Stand Up
(infelizmente sem legendas em português)