Nota: É com pesar que publicamos esta resenha, justamente dias depois da morte de mais um integrante original do Lynyrd Skynyrd. Bob Burns, baterista da banda na época do Pronunced Leh-Nerd Skin-Nerd, faleceu no ultimo dia 3 vitima de um acidente de carro. Autoridades do estado da Georgia (EUA), afirmaram que o carro do músico saiu da estrada batendo contra uma árvore. Bob Burns, que não utilizava cinto de segurança morreu no local.
Por: Fabio Henrique Calderone

Tracklist:
01. I Ain't TheOne (Gary Rossington, Ronnie Van Zant) 3:53
02. Tuesday's Gone (Allen Collins, Ronnie Van Zant) 7:32
03. Gimme Three Steps (Allen Collins, Ronnie Van Zant) 4:30
04. Simple Man (Gary Rossington, Ronnie Van Zant) 5:57
05. Things Goin' On (Gary Rossington, Ronnie Van Zant) 5:00
06. Mississippi Kid (Al Kooper, Ronnie Van Zant, Bob Burns) 3:56
07. Poison Whiskey (Ed King, Ronnie Van Zant) 3:13
04. Simple Man (Gary Rossington, Ronnie Van Zant) 5:57
05. Things Goin' On (Gary Rossington, Ronnie Van Zant) 5:00
06. Mississippi Kid (Al Kooper, Ronnie Van Zant, Bob Burns) 3:56
07. Poison Whiskey (Ed King, Ronnie Van Zant) 3:13
08. Free Bird (Allen Collins, Ronnie Van Zant) 9:09
Integrantes:
- Ronnie Van Zant – vocais
Gary Rossington – Guitarra
Allen Collins – Guitarra
Ed King – Baixo e Guitarra
Billy Powell – Teclados & Piano
Bob Burns – Bateria
Leon Wilkeson – Baixo (parcialmente)
Adicionais:Al Kooper – Baixo, mellotron, bandolin, orgão
Robert Nix – Percussão e bacteriaBobbye Hall – PercussãoSteve Katz – gaita
Al Kooper – Produção
Bobby Langford & Rodney Mills – Engenheiros de som
Talvez pelo fato do Lynyrd Skynyrd estar entre as minhas bandas preferidas, a escolha do primeiro álbum dos caras acabou sendo um tanto óbvia para essa resenha de “estréias”. Mais do que um disco bom e popular, Pronunced Leh-Nerd Skin-Nerd é uma das 3 pedras fundamentais do movimento Southern Rock americano, ao lado de At Fillmore East (Allman Brothers) e Tres Hombres (ZZ Top).
Raramente um debut reuniu tantos dos chamados “clássicos”. 3 dos 4 maiores sucessos da banda em todos os tempos estão aí: “Simple Man”, “Gimme Three Steps” e o manjado e tão falado “hino” (é, eu sei, o termo é infeliz, mas aqui é o que melhor se encaixa mesmo) “Free Bird”. Só faltou a tal “Sweet Home Alabama”, que seria lançada no álbum seguinte. Em compensação também fazem parte desse disco de estréia as conhecidas “Tuesday’s Gone” e “I Ain’t The One”.
Entre os músicos e equipe envolvidos na gravação, é relevante destacar a presença de Al Kooper, na produção. Figura influente na época (foi fundador do Blood, Sweat and Tears em 1967 e grande colaborador de estúdio de Bob Dylan quando este se ligou ao Rock e provocou uma revolução no movimento em 1965 - opa! assunto pra outra resenha! rs), Al Kooper contribuiu sensivelmente para a evolução dos arranjos e concepção do álbum.
Mas, mesmo com todos esses atributos, devo confessar... eu não sou dos mais ardorosos fãs desse disco. A qualidade é indiscutível, mas acho que o próprio Lynyrd tem albuns mais consistentes e legais do que esse. Pra mim, o disco peca um pouco pela grande quantidade de baladas um tanto "parecidas". No entanto, notório e o mais memorável é o fato da banda ter criado, com ele, muito mais do que boas canções: um Estilo.
Vocais country arrastados, cozinha azeitada, um trabalho caprichadamente planejado de guitarras em camadas... tudo isso unido a Rocks simples e diretos de 3 ou 4 acordes, Boogies sulistas balançados, e baladas de poesias simples mas emocionais resultou numa combinação perfeita... inédita... e fez história.
Junto com o Allman Brothers, e cada um à sua maneira (de modo grosseiro os Allman seguindo a linha Blues/Jazz e o Lynyrd trilhando o caminho do Country/Hard), a banda ditou as regras do Rock Sulista americano nos anos 70. Todas as bandas que surgiram no sul acabavam seguindo os passos de um ou do outro. E a maioria delas seguia os do Lynyrd. É curioso ver que algumas bandas sulistas criaram até mesmo as suas próprias “Free Bird”: aquela canção-hino, longa, que começava calma e carregava no final, terminando com intermináveis solos de guitarra. The Outlaws vieram com “Green Grass & High Tides”, o Blackfoot com “Highway Song”... e a influência "Skynyrdística" foi se propagando...
A estória desse álbum começou bem antes de seu lançamento. Em 1971, Ronnie Van Zant e sua galera (que na época incluía, entre outros, o futuro-líder do Blackfoot e guitarrista da formação atual do Lynyrd, Rick Medlocke), se virando com pouco dinheiro que tinham e tentando conseguir um contrato com uma gravadora, entraram no estúdio Muscle Shoals, no Alabama, e gravaram 17 músicas (incluindo 5 das 8 músicas desse Pronunced, inclusive “Free Bird” e “Simple Man”).
Parte dessas gravações estão em Skynyrd ‘s First and... Last, disco que serviu como uma despedida da primeira fase do grupo, lançado pela MCA em 1978, logo após o famoso e trágico acidente de avião que tirou a vida de alguns integrantes incluindo o líder Johnny Van Zant e pôs fim a banda.
20 anos depois, em 1998, a gravadora novamente reviveu esse material, dessa vez de forma mais completa e respeitosa, e lançou Skynyrd’s First: The Complete Muscle Shoals Album, onde reuniu todas as 17 músicas gravadas nas sessões de 1971 e 1972. Pra mim, esse acabou se tornando um documento bem mais interessante do que o "oficial" Pronunced Leh-Nerd Skin-Nerd.
Mesmo com os overdubs e com alguns arranjos questionáveis (a bateria psicodélica de “Free Bird”, por exemplo, é irritantemente exagerada e fora de propósito), considero essa versão completa do Skynyrd’s First um álbum mais legal e divertido que o oficial Pronunced. Além de mais recheado, traz um grupo mais cru, espontâneo, “feroz” e experimental, porém já com toda a sua essência e poder de fogo que seriam mostrados durante os anos 70. Esse disco foi recusado pelos executivos das gravadoras da época provavelmente devido justamente a esse experimentalismo. Ouvindo hoje, porém, é fácil compreendê-lo e identificar uma grande potência sonora em evolução.
Pronunced Leh-Nerd Skin-Nerd, no entanto, permanece como um documento histórico de firmação de uma banda que se tornaria lenda e de um estilo musical e comportamental que permanece muito vivo até hoje.
Minha Nota: 4 cervejas
Minhas faixas preferidas: “Free Bird”, “Poison Whiskey” e “I Ain’t The One”
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| Selo da primeira edição do álbum, gravadora local “Sounds Of The South” |
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| Selo da primeira edição do álbum, gravadora local “Sounds Of The South” |
| Capa interna (Gatefold) da primeira edição do LP (1973) |
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| Foto alternativa da sessão para a capa do álbum |
Opinião: Por André Milani
Fiquei feliz quando vi que o Fabio havia escolhido o Debut do Lynyrd Skynyrd para estrear no Som a Mesa. Este foi um dos álbuns que cotei para a minha resenha. No final das contas ficou nas mãos certas, pois ninguem melhor do que ele (grande fã) pra falar da banda.
No final ele tocou no ponto que mais me incomoda no disco, e que também incomoda a muitos fãs que concordam conosco ou não admitem em concordar (ahn?). Explico. O Pronounced é um grande álbum. Mais do que isto é um grande álbum de estréia. Poucas bandas conseguem lançar um primeiro disco com tanta qualidade e personalidade como o Lynyrd conseguiu neste disco. Mas também falta pegada.
Apesar de recheado de clássicos, a grande
quantidade de baladas com estrutura similares faz com que no final da audição
do álbum soe um pouco cansativa. Por mais linda que Free Bird seja, é comum
chegar a ela (que fecha o álbum) já cansado pelas audições de Simple Man e
Tuesday Gone. São belas canções, mas uma delas poderia ter ficado para um álbum
posterior. Fora isso, o disco é quase perfeito. As músicas tem melodia, o
tradicional boogie sulista e a instrumentação adicional quando da as caras faz
muito bonito (preste atenção na percussão acústica no refrão de Gimme Three
Steps, o piano que faz a ponte e o refrão de
Things Going On e que também aparece em I Ain’t The One além da Gaita em
Mississipi Kid). Isso sem falar no espetacular trabalho das guitarras e nas
letras simples, mas belas. É um disco que definiu um estilo e por si só já é um
marco na História do Rock. Não é meu favorito do Lynyrd Skynyrd, nem mesmo da
fase pré acidente, mas mesmo assim é um BAITA disco.
Em minha opinião Simple Man reina soberana como a melhor faixa do disco (mas sou suspeito pois gosto MUITO deste som... da letra, solo e arranjos, a história de sua composição). I Ain’t The One é outra que me agrada muito pelo boogie sulista unido ao peso do hard rock, é bem característica da banda. Gimme Three Steps é um clássico que dispensa apresentações, com seu refrão marcante (ótimo pra se tocar ao vivo, coisa que a banda sempre faz) e Things Going On é bem legal com seu “pianinho”. Mississipi Kid é a faixa mais diferente do disco com o bandolim e a gaita e por isso é bom que esteja lá. Free Bird e Tuesday’s Gone completam o time de baladas clássicas da banda e Poison Whisky é mais diretona e claro... boa. Não tem musica mais ou menos neste disco.
Em minha opinião Simple Man reina soberana como a melhor faixa do disco (mas sou suspeito pois gosto MUITO deste som... da letra, solo e arranjos, a história de sua composição). I Ain’t The One é outra que me agrada muito pelo boogie sulista unido ao peso do hard rock, é bem característica da banda. Gimme Three Steps é um clássico que dispensa apresentações, com seu refrão marcante (ótimo pra se tocar ao vivo, coisa que a banda sempre faz) e Things Going On é bem legal com seu “pianinho”. Mississipi Kid é a faixa mais diferente do disco com o bandolim e a gaita e por isso é bom que esteja lá. Free Bird e Tuesday’s Gone completam o time de baladas clássicas da banda e Poison Whisky é mais diretona e claro... boa. Não tem musica mais ou menos neste disco.
Também tive a oportunidade de ouvir o Skynyrd’s First: The Complete Muscle Shoals Album que não conhecia e gostei muito. Ouvindo este, é impossível não pensar que a escolha de músicas para o Pronounced poderia ter sido melhor, ou pelo menos maior, pois material muito bom ficou de fora. Preciso ouvir mais, mas não é exagero do Fábio quando disse preferir esta versão a oficial. Apesar de mais crua, mostra muito do potencial da banda em seus primeiros dias e o modo “orgânico” como todo o disco soa me agradou bastante.
Musicas Preferidas: Simple Man e I Ain’t The One
Nota: 4 cervejas
Curiosidades
- Em 1973 o guitarrista do The Who, Pete Townshend, tendo assistido e gostado de uma apresentação do Lynyrd Skynyrd, convidou a banda para abrir os shows da banda Inglesa (que na época divulgava o disco Quadrophenia).
O Lynyrd, que até então havia tocado apenas em pequenos bares, ficou apavorado com a idéia de encarar uma grande multidão, principalmente porque os fãs do The Who tinham fama de hostilizar bandas de abertura. Com isso Ronnie Van Zant e sua turma optaram por se apresentarem o mais bebados possivel, porém acabaram sendo bem recebidos no show que aconteceu em 20 de novembro de 1973 no Cow Palace em São Francisco.
- "Skynyrd’s First: The Complete Muscle Schoals Album": álbum lançado em 1998, trouxe oficialmente as sessões completas gravadas no Estúdio Muscle Schoals (Alabama) em 1971 e 1972, que nos mostra um Lynyrd Skynyrd mais cru e experimental.
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| Capa do Disco |
- SIMPLE MAN - A composição surgiu após a morte da avó de Ronnie. Em um dia qualquer, ele e Gary estavam no apartamento do vocalista e começaram a contar algumas histórias sobre ela. A partir disso, o guitarrista começou a dedilhar algumas notas e ambos puseram-se a montar uma letra sobre as recomendações das mulheres importantes de suas vidas, em especial mães e avós.
A letra foi composta em apenas uma hora e é especialmente tocante, apesar de sua simplicidade. Trata dos ensinamentos de uma mãe para o seu filho sobre as coisas mais importantes da vida: a fé, o amor, a humildade e o desapego material.
- Tuesday's Gone é uma das poucas musicas de estudio desta época na qual Bob Burns (RIP) baterista da formação original e um dos fundadores não gravou na bateria. Embora seja possivel ouvir a bateria de Bob na versão Demo, a versão oficial de estudio teve a bateria de Robert Nix gravada.
- Tuesday's Gone é uma das poucas musicas de estudio desta época na qual Bob Burns (RIP) baterista da formação original e um dos fundadores não gravou na bateria. Embora seja possivel ouvir a bateria de Bob na versão Demo, a versão oficial de estudio teve a bateria de Robert Nix gravada.
Que tal a versão Demo?
- A foto da capa foi tirada na rua principal da cidade de Jonesboro (Georgia) onde, alguns anos depois e a poucos metros do local, seria rodada uma famosa cena do filme Agarre-me se Puderes (Smpkey and The Bandit), onde Burt Reynolds e Jerry Reed carregam a cerveja Coors. O filme foi a segunda maior bilheteria dos EUA em 1977.
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| Posters do filme Smokey and the Bandit |
- Al Kooper (produtor) foi praticamente um membro da banda no disco: tocou contrabaixo e mellotron ("Tuesdays Gone"), além de fazer backing vocals, sob o pseudônimo de Roosevelt Gook.
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| Al Kooper: Produtor e fundador do Blood, Sweet & Tears. |
- Certificados:
Disco de Ouro (1974)Platina Dupla (1987)
Melhor posição Billboard: No. 27 (1975)
Lista dos 500 Maiores Álbuns de Todos os Tempos: No. 401
Lista dos 200 Álbuns Definitivos no Rock and Roll Hall Of Fame: No. 179
Vendas estimadas: 2 milhões de cópias.
Covers
Wynonna Judd - Free Bird
Álbum: Skynyrd Frynds (1994)
Álbum: Skynyrd Frynds (1994)
Gov't Mule - Simple Man
Álbum: A Jam Band Tribute To Lynyrd Skynyrd (2004)
Metallica - Tuedays Gone
Álbum: Garage Inc (1998)
Álbum: Garage Inc (1998)






falta a BACK-COVER, que é muito loka RSRSRS
ResponderExcluirOutra coisa que eu aaaadoro são os "tributes"
ResponderExcluirE um que eu recomendo é o : Album...............: Under the Influence : A Jam Band Tribute To Lynyrd Skynyrd
01. Simple Man - Gov't Mule
02. Wiskey Rock a Roller - North Mississippi Allstars
03. Saturday Night Special - Galactic
04. Four Walls of Raiford - Yonder Mountain String Band
05. Workin' for MCA - Particle
06. Call Me The Breeze - Les Claypool
07. The Ballad of Curtis Loew - Moe ft. John Hiatt
08. Give Me Three Steps - Disco Biscuits
09. Every Mother's Son - Drive By Truckers
10. Free Bird - Blues Traveler
11. Sweet Home Alabama - Big Head Todd & the Monsters